quinta-feira, 8 de outubro de 2026

PARAMIRIM PODE TER UTI ADULTO E PEDIÁTRICA? VEJA O CAMINHO, O INVESTIMENTO E O CUSTO PARA MANTER Por Isaías-Zá – Blitz do Zá


 A discussão sobre a implantação de uma UTI Adulto e uma UTI Pediátrica em Paramirim precisa sair do campo das ideias e entrar na mesa do planejamento.

A pergunta é simples: Paramirim tem condições de receber uma estrutura de terapia intensiva para atender a população do município e da região?

A resposta é: tecnicamente, pode ser possível, mas será necessário um projeto hospitalar completo, aprovação dos órgãos competentes, estrutura física adequada, profissionais especializados e uma fonte permanente de custeio.

O próprio Ministério da Saúde prevê atualmente a habilitação de UTI Adulto Tipo II e III e UTI Pediátrica Tipo II e III no SUS. O pedido deve ser apresentado pelo gestor municipal e/ou estadual por meio do SAIPS.

UMA PROPOSTA INICIAL PARA PARAMIRIM

Uma possibilidade a ser estudada seria:

UTI Adulto – 10 leitos

UTI Pediátrica – 5 leitos

Total: 15 leitos de terapia intensiva.

Isso não significa que Paramirim necessariamente precise começar com 15 leitos. O número deverá ser definido por estudo de demanda, população atendida, capacidade hospitalar e pactuação regional.

QUANTO PODERIA CUSTAR?

O investimento inicial pode variar enormemente.

Se o município conseguir utilizar e adaptar uma estrutura hospitalar existente, o custo poderá ser muito menor do que construir uma unidade completamente nova.

Será necessário avaliar:

  • reforma e adequação da área;
  • gases medicinais;
  • rede elétrica e sistema de emergência;
  • gerador;
  • climatização;
  • sistema de monitoramento;
  • camas hospitalares;
  • monitores multiparamétricos;
  • ventiladores mecânicos;
  • bombas de infusão;
  • desfibriladores;
  • equipamentos de emergência;
  • equipamentos de transporte;
  • farmácia e estoque;
  • laboratório e apoio diagnóstico;
  • engenharia clínica;
  • equipamentos e materiais específicos para atendimento pediátrico.

A legislação sanitária estabelece uma série de equipamentos mínimos para cada leito e também exige manutenção preventiva e corretiva dos equipamentos.

Por isso, não seria responsável anunciar hoje um preço fechado para construir a UTI de Paramirim sem conhecer o hospital e o projeto arquitetônico.

Como referência, entretanto, uma implantação de 15 leitos em uma estrutura já existente poderia exigir um investimento de vários milhões de reais, dependendo do nível de reforma e dos equipamentos necessários.

Uma estimativa preliminar para estudo político e administrativo poderia trabalhar com uma faixa de aproximadamente R$ 5 milhões a R$ 10 milhões, mas isso não é orçamento oficial. O valor definitivo somente poderia ser conhecido após projeto, levantamento de infraestrutura e orçamento dos equipamentos.

E QUANTO O SUS PODERIA REPASSAR?

Aqui existe uma informação importante.

Em uma portaria publicada pelo Ministério da Saúde em 2025, foram habilitados 9 novos leitos de UTI Adulto Tipo II com R$ 1.773.900 por ano, o que corresponde a R$ 197.100 por leito/ano.

Na mesma portaria, 2 novos leitos de UTI Pediátrica Tipo II receberam R$ 394.200 por ano, também correspondendo a R$ 197.100 por leito/ano.

Usando somente essa referência para uma simulação:

10 leitos adultos

10 × R$ 197.100 = R$ 1.971.000 por ano

5 leitos pediátricos

5 × R$ 197.100 = R$ 985.500 por ano

Total hipotético

R$ 2.956.500 por ano

Ou aproximadamente:

R$ 246.375 por mês.

Mas atenção: isso é uma simulação baseada em uma referência de habilitação, e não significa que Paramirim receberia automaticamente exatamente esse valor.

O custeio efetivo dependerá da habilitação, modalidade, pactuação e das regras financeiras vigentes.

O MAIOR DESAFIO NÃO É COMPRAR OS EQUIPAMENTOS

O maior desafio será manter a UTI funcionando 24 horas por dia, 365 dias por ano.

É necessário contar com médicos, enfermagem, fisioterapia e demais profissionais especializados, além de medicamentos, oxigênio, materiais hospitalares, alimentação, limpeza, lavanderia, energia, manutenção e engenharia clínica.

A própria Anvisa determina requisitos específicos de equipe e estabelece que os equipamentos precisam estar em condições de uso e passar por manutenção preventiva e corretiva.

Ou seja:

comprar uma UTI é uma etapa; manter uma UTI funcionando é o verdadeiro desafio.

QUAL SERIA O CAMINHO MAIS RÁPIDO?

Para evitar anos de discussão sem resultado, Paramirim poderia seguir uma sequência objetiva:

1. Prefeitura Municipal

Solicitar imediatamente um estudo técnico de viabilidade.

2. Hospital

Levantar a estrutura física disponível e verificar o que pode ser aproveitado.

3. Secretaria Estadual da Saúde

Apresentar oficialmente a proposta ao Governo da Bahia e discutir sua inserção na rede regional.

4. CIR e CIB

Buscar a pactuação regional necessária dentro do SUS.

5. Projeto técnico

Elaborar projeto arquitetônico, assistencial, equipamentos, equipe e orçamento.

6. Vigilância Sanitária

Submeter a estrutura à avaliação e obter as aprovações necessárias.

7. CNES

Manter o cadastro do estabelecimento atualizado, inclusive o módulo correspondente aos leitos complementares.

8. SAIPS

Protocolar o pedido de habilitação dos leitos junto ao Ministério da Saúde.

9. Ministério da Saúde

Após análise favorável, a habilitação é publicada por portaria específica.

PARAMIRIM PRECISA COMEÇAR AGORA

Não é necessário esperar que exista dinheiro disponível para fazer o primeiro movimento.

O primeiro passo pode ser uma reunião oficial entre Prefeitura, Secretaria Municipal de Saúde, Governo do Estado, direção hospitalar e representantes da sociedade, para determinar se a estrutura é viável.

Depois disso, o projeto pode buscar recursos de diferentes fontes, incluindo orçamento municipal, estadual e federal.

UMA PROPOSTA PARA O VALE DO PARAMIRIM

Se a UTI for planejada para atender apenas Paramirim, a justificativa poderá ser mais limitada.

Mas se for apresentada como uma estrutura regional de terapia intensiva, atendendo Paramirim e municípios do Vale, o projeto ganha uma dimensão muito maior.

A discussão precisa considerar a população regional, a distância até os atuais centros de referência, o número de transferências, o tempo de deslocamento e a quantidade de pacientes que necessitam de terapia intensiva.

UTI SALVA VIDAS

A pergunta que fica para os gestores é:

Quantas vidas poderiam ser salvas se a região tivesse uma estrutura de terapia intensiva mais próxima?

Paramirim não pode continuar apenas encaminhando pacientes graves para longe sem discutir uma solução regional.

Não se trata de uma promessa eleitoral.

Trata-se de um projeto de saúde pública que precisa de estudo, planejamento, recursos e união política.

UTI Adulto e UTI Pediátrica para Paramirim e região: é hora de estudar a viabilidade e começar a construir o caminho.

Isaías-Zá – Blitz do Zá

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