Enquanto milhões são gastos em festas populares, muitas famílias continuam sofrendo na fila da regulação esperando uma vaga de UTI no interior da Bahia e em várias regiões do Brasil.
A discussão não é acabar com a cultura, o lazer ou as tradições populares. Festa também movimenta a economia, gera emprego e alegria para o povo. Porém, a pergunta que muitos fazem é:
“Será que não está faltando equilíbrio entre diversão e investimento na saúde?”
Em muitos municípios pequenos, uma única atração famosa pode custar entre R$ 200 mil e R$ 1 milhão em apenas uma noite de show. Somando várias bandas e estruturas, uma festa pode ultrapassar facilmente milhões de reais.
Enquanto isso, pacientes aguardam transferência por dias em hospitais sem estrutura adequada, esperando uma vaga de UTI que pode significar a diferença entre a vida e a morte.
Especialistas apontam que o custo médio de manutenção de um leito de UTI pode girar em torno de R$ 120 mil por mês em hospitais menores e regionais, dependendo da estrutura e equipe médica.
Fazendo uma comparação simples:
2 leitos de UTI = cerca de R$ 240 mil por mês
Se 5 municípios se unissem em consórcio regional:
Cada cidade investiria aproximadamente R$ 48 mil mensais
Valor que, segundo muitos moradores, poderia ser retirado de gastos considerados supérfluos ou reduzidos em contratos temporários de eventos.
Com planejamento regional, pequenas cidades poderiam ajudar a manter UTIs compartilhadas em hospitais polos, reduzindo mortes e diminuindo o sofrimento das famílias que dependem da regulação do SUS.
A realidade é dura: para quem está saudável, a festa dura uma noite. Mas para quem espera uma vaga de UTI, cada minuto vale uma vida.
A população começa a levantar um debate importante: qual deve ser a prioridade do dinheiro público?
Investir apenas em entretenimento ou também fortalecer a saúde pública de forma permanente?
A reflexão fica para gestores, vereadores, deputados e para toda sociedade: bandas passam... mas vidas precisam permanecer.
Por Isaías-Zá